Assim passa a noite, sabendo que tudo vem e que tudo vai, sempre no seu ir. Tudo.
A lua confunde-se entre as núvens.
Os carros atravessam a ponte, indiferentes ao vento frio que também passa por mim aos poucos. A indecisão.
Não saber como ir nesse tudo.
Achar-se-á um ir como esse?
Tudo vai e vou também sem querer.
Centenas de noites numa noite.
Trocando de ouvidos num som contínuo nem sempre bom, expressando sons nem sempre maus. Passa-se uma noite como se fossem cem, nem sempre ouvindo bem.
Avanço como alguém que não eu e com tanto de mim, estranhando tanto o conhecido.
Expressar é como dizer quem sou sem o saber, e mesmo assim não o poder evitar.
Sou mais do que quem sou.
Ainda há quem fale de expressar inexprímivel.
Valha-me a poesia que me liberta desta noite para onde a minha liberdade vai.
Lisboa, 13 de Dezembro 2008
segunda-feira, maio 31
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