sexta-feira, junho 4

Carta suspensa

Novo dia, uma tarde.
Calor, sol, sombra e fresco.

Raramente me contento com o tempo que vai fazendo.
Não penso em nada, e nada escrevo.
Vazio e sem nada, escrevo.
As ideias mal esperam por se fazer sentir e ouvir,
mas nem as vejo, nem as ouço.
Mexo-me e pratico o nada que produz sinais e objectos.
As metafísicas estão ausentes
numa vivência momentanea de momentos bem passados
porque nada simbolizam e a nada dão sentido
senão a uma vida que se vive e vai vivendo
com tudo o que ela tem.

Cheio de vida, vazio de sentido
e mesmo assim contente e feliz.
Projectos adiados e planeados
para um futuro que se aproxima devagarinho.
Não tenho pressa.

– Passa tempo, passa, que há-de chegar a hora.
Quando chegares, cá estarei;
não há lugar algum em que eu possa fugir de ti. –

E mais uma linha escrevo
apenas para ajudar o tempo a passar.
Pode ser que fique mais contente
por escrever umas quantas palavras de nada
e tudo de nada.

Caparica, Agosto de 2007

1 comentário:

@ndrei@zul disse...

o nada já é tanto do tudo! :)

bem-vindo! **